quinta-feira, 19 de junho de 2008

domingo, 8 de junho de 2008

Um dia depois

No dia seguinte à vitória da selecção de "nós todos", ainda não estou contagiado pela onda de optimismo que varreu o país mediante o resultado positivo frente à Turquia. Será pela falta de avançado centro goleador? Ou será pelo preço da gasolina? Será pela concertação social? Optimismo? Não me parece.

Mas vamos aos jogo que é algo que nos vai consolando (como otários que somos, povo português)!

Achei que jogamos bastante bem na 1ª parte com a táctica que estava delineada desde o inicio (4-5-1). Gostei de ver o João Moutinho e o Deco com um entrosamento bastante bom dentro de pouco tempo de preparação. Foi na 1ª parte que criámos as maiores oportunidades de golo e tive pena de não irmos para o intervalo já com a vantagem de dois golos mas o futebol é mesmo assim.
De valorizar a prestação de Bosingwa que esteve bastante seguro de si, de Cristiano Ronaldo que com os seus arranques fazia estragos na defesa turca e já para não falarmos do seu potente livre que o guarda redes conseguiu desviar por graça divina e inevitavelmente de Pepe que esteve imperial no centro do terreno ao ler muito bem o jogo enas incursões ofensivas onde de bola parada fez tremer os turcos em vários pontapés de canto. Fomos superiores na posse de bola assim como na construção de jogo ofensivo mas na hora da finalização as coisas teimam sempre em ser iguais desde há muito tempo! Um homem na frente para a defesa turca era como condená-lo à morte (salvo seja) especialmente se falamos de Nuno Gomes. (O homem que nos dá sempre a sensação de golo e que acaba sempre por falhar) Correu muito atrás da bola, mas infelizmente nunca a meteu na baliza. Portugal dominava e os turcos lá iam aguentando como podiam, com ou sem fair-play, umas cacetadas aqui e ali a que o árbitro fez vista grossa, etc... Destaca-se também Simão com muita velocidade e bons cruzamentos; que sofreu uma falta extremamente dura que a meu ver tinha dado outra cor no cartão que não o amarelo.

Acabava assima 1ª parte, com um zero a zero que era mais que vantajoso para os turcos.

A 2ª parte foi diferente mas também sofrida, especialmente no seu final (como de habitual) e passou mais rápido que a 1ª (pelo menos para mim) sendo que começámos em lume brando a tentar construír jogo e deixámos mais espaços para a Turquia que se mostrava ameaçadora e ainda chegou a causar uns calafrios. Piada teve pois então o golo de Pepe (que já andava a prometer) com uma investida fabulosa na jogada anterior e aproventando o desenlace do lance faz uma belissima tabelinha com Nuno Gomes (redimiu-se aqui após ter falhado 2 oportunidades cruciais) na qual resulta o primeiro golo para Portugal. Em seguida e como seria de esperar o ascendente turco que deixou avisos de inconformismo. Entrentanto um tiro ao poste por Nuno Gomes quase deixa em colapso cardiaco um país inteiro.
Scolari então (tirou um coelho da cartola) faz substituir Nuno Gomes e coloca Nani. Para mim parecia-me normal tirar Nuno Gomes mas colocar Nani? Certo é qur ganhariamos velocidade mas perdia-se em referências de ataque. Sem avançado centro lá se prosseguiu o jogo à espera que os nossos "falso" avançado fizesse das suas em contra-ataques viperinos, mas a Turquia passou a dominar o palco de operações. Aí compreendi Scolari, deixou de se balancear para o ataque obrigando a Turquia a vir para cima do seu meio cempo ofensivo onde nós rápidamente saíriamos em contra-ataque desequlibrando gravemente a defesa turca, tomando em consideração a parca mobilidade e velocidade da mesma. Infelizmente isso não resultou, e o meio campo ofensivo da Turquia construía algumas jogadas que a passo´poderiam ter sido mais frutiferas. Em seguida Scolari (com mais uma substituição que me pôs a matutar) tira Simão, e coloca Raul Meireles. Nesta altura já se denotava o cansaço do extremo português mas também se denotava o cansaço e se me permitem a obstinação de Deco em agarrar muito a bola efectuando muitos passes falhados.
Enquanto questionava estas opções e pensava noutras opções que poderiam ter sido tomadas, a Turquia ia se apoderando a pouco e pouco do jogo e Portugal a ganahar por uma bola a zero podia ser muito bem surpreendido com uma daquelas jogadas madrastas, (daquelas quando os jogos ainda estão a zero) que nós portugueses já vimos desenrolar tantas vezes, aliás, tantas como as vezes que jogamos contra clubes ou selecções estrangeiras.
Lá se moeu o jogo mais um pouco até aos 90 minutos e após um jogo de esforço; sublinho também pela negativa a entrada dura de Mehmet Aurélio sobre Nani a que o árbitro fingiu não ver) mas também de boa qualidade (embora uma 2ª parte mais fraca) sai Deco e entra Fernando Meira. Este mal teve tempo pra tocar no esférico e já Portugal mandava a estocada final com uma boa jogada de Ronaldo, Moutinho e Meireles. Meireles dava um pontapé final no jogo e arrecadava-se os 3 pontinhos que em boa hora nos farão falta.

Venha agora a República Checa, pois esse sim será um bom teste. Há que ter fé!

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Sonho e Realidade

Há que escolher os sonhos, por muito castrador que seja esta afirmação. Parece-me que para podermos atingir alguma maturidade devemos deixar algumas coisas para trás e abraçar novas perspectivas. Espero que o espaço para sonhar se mantenha no seu lugar, mas dentro de uma meta alcançável e não como temos a mania de fazer ao correr atrás do inatingível. A capacidade de podermos sonhar é neste caso uma faca de dois gumes, tão simplesmente como uma moeda, um livro, uma folha que tem frente e verso. Por um lado leva-nos a acreditar e depositar a nossa fé num objectivo, o qual pode ser atingido a muito ou pouco custo. Pelo outro lado leva-nos a iludir as nossas capacidades e ignorar aquilo que nos é humanamente possível. No meio está a virtude. No meio de tudo isto está o que os homens lutam para poder decifrar e controlar. Podia chamar-se até destino ou fado, podemos chamá-lo também de vontade e ou querer.
A capacidade de fazer, de executar é tão preciosa como a capacidade de sonhar ou de olhar além mas o fiel da balança pede precisão nesta matéria. Não nos é estranha a sensação de desequilíbrio quando estamos perante o sonho e a matéria. A verdadeira sabedoria consiste em transformar o sonho em realidade. Realidade empírica, palpável e factual. No nosso processo evolutivo esta é uma pugna constante, às vezes e parafraseando a metáfora pode dizer-se que se trava a batalha entre o corpo e alma, entre o “pecado” e o justo.
Verdade é que de dualidade já nos chegam os obséquios diurnos, caindo em repetições constantes destes pequenos atalhos e vícios que vão ditando o dia-à-dia. É aí que o sonho entra e como alguém disse “comanda a vida”. Eu procuro comandar a vida nesse intermédio que nos alenta, nessas incongruências maravilhosas e pequenos defeitos de nascença que nos fazem querer algo melhor ou maior. Não lhe chamo ambição, nem arrogância, nem tão pouco inadaptação, aliás nem sei como adjectivar. Acho que poderia chamá-lo de viver.
Viver. Em função de, por intermédio de, o que quer que seja ou que lhe possamos chamar, mas vivê-lo. Um dia de cada vez, tentando deixar o sonho infantil e a inflexibilidade racional dos “adultos”. É tomar as duas faces da moeda e como alguém me disse separar o acessório do essencial. Talvez seja desta que aprendo mais um pouco daquilo que me está reservado e deixar as coisas levarem o seu rumo. Se o controlo ou não esse será o meu desafio desde que saiba escolher atempadamente entre o sonho consciente e a execução inconsciente e vice-versa.
Esperançado que enquanto me for dada a capacidade de decidir, possa fazê-lo com um dos tratos mais espantosos que está impresso no ser humano e nos é comum a todos, o factor de transformar e de nos adequarmos à inconstância da lógica.
As mãos que executam aguardam por uma mente que sonhe.