quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Convivas

 "Sabes porventura se ainda ficas por cá?" perguntaste-me. Disse que não. Não pelo medo de um possível compromisso, mas mais pelo oposto. Esse descompromisso que me faz sentir livre. 

Obviamente que não disse isto em voz alta, talvez fosse ferir susceptibilidades ou honras mal contadas. Na verdade já estou habituado a ser directo onde outros me chamam de insensível, bruto ou até obtuso. Mas este não era caso para criar inimizades, até porque me pareceu que a mútua companhia agradava a todos à volta da mesa.

"Bebamos pois então ao dia de hoje porque o amanhã ainda não está cá!" Ouviu-se em bons espíritos do fundo da mesa contagiando os convivas num brinde festivo. 

Mas era justamente o amanhã que se celebrava e com ele a minha partida. Sorri ligeiramente como se de uma conversa paralela tratasse, pois era sem dúvida o alívio do amanhã que fomentava o sacrifício de hoje.

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