quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cronos II

Onde já vi o futuro

Estava só

Neste momento indiferente

Horas sobre minutos

As forças que me movem

Cronologia em testemunhos

Dissolvi os dias

Em minutos sobre segundos

Já houve uma hora,

Um relato de escrivão

Marcada no tempo

Em segundos sobre um piscar de olhos

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Entre o hoje e o amanhã

"Hoje fora mais um dia de suplício, onde se arrastou até à ultima hora da sua labuta. Os rostos exaustos dos demais desconcertavam-no. O compasso do metro nos carris embalavam-no numa dormência típica de um sonâmbulo. Chegou à sua paragem e como de habitual deparou-se com o vazio da estação, esse ponto de passagem que reflecte a efémera apatia dos seus transeuntes. Compôs a gola do casaco ao sentir as gélidas mãos do inverno e resignou-se ao chamamento de um pequeno consolo na imagem do seu lar. A noite já avançada abraçava os exilados e rejeitados do dia. Faltava agora a procissão pelas ruelas até chegar a casa. Enfermo e titubeante prosseguiu resignado; escondendo as vísceras da sua dor num sorriso mal amanhado."

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cronos

Gota a gota, grão a grão
Eco de quartzo
Raio de sol,
Eclipsas-te do teu mundo sub-repticiamente

Em compassos e medidas
Um cortejo infinito de repetições
Àtomo dos nossos raciocinios
Incompreendido e fugaz

Cicatriz eterna
Constante definhar
O teu legado perpetua-se
Fome voraz de existência

Ontem, ignaros
Hoje, avançamos destemidos
Amanhã, não saberemos voltar atrás

domingo, 31 de janeiro de 2010

Re"Ciclo"

Reinvento-me das mais variadas formas para ser cada vez mais eu, mais uno. O problema é que há sempre algo que é impossivel reciclar, onde colocar então esse lixo senão num canto obscuro da minha memória? Como eu somos milhões, que nos tentamos adaptar a vida e as pessoas que nos rodeiam, e no entanto sentimos que fica sempre algo àquem , algo que nunca se transformará num producto acabado. Perfeccionismo a mais e sorte a menos.

domingo, 24 de janeiro de 2010

deixa-me algo...

Hoje foste embora lá de casa, e não deixaste nada. Absolutamente nada. Num uma escova de dentes ou uma peça de roupa, nem um tupperware esquecido. Nem deixaste o cheiro. É estranho pois sempre que vais deixas sempre algo para trás, e hoje não deveria ser excepção. No entanto já me habituei às tuas excepções, às tuas pequenas imperfeições que te compôem e que eu tento sempre integrar em mim. Mas nem essas imperfeições deixaste, nem uma carta, nem um beijo esquecido na almofada. Hoje quando chegar a casa,vou ter apenas uma ténue imagem de ti sentada no sofá, como memória. E como todas as pessoas sabem, as memórias desvancem com o tempo...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Crepúsculo

É dificil lidar com a solidão. O mais dificil, é quando estamos acompanhados, lançamos sinais de fumo ou foguetes de sinalização, em jeito de "salvem-me que estou aqui!", e sentimo-nos sós. É olharmos nos olhos dos nossos companheiros e não nos vermos espelhados. É sorrirmos para a face vazia de quem está ao nosso lado e perceber que afinal parece que nunca nos vimos antes. É aceitar que os diálogos se tornem monólogos. É tentar reciclar uma vida, nos escombros de outra. É saber que se perdeu, mesmo quando já ganhámos. É como chorar sem lágrimas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

The sad truth...

Há noites em que dormir acompanhado é o mesmo que acordar sózinho.